Para quando os “Títulos de Guerra COVID-19” ? (ontem: já seria tarde demais)

Não faltam declarações do Primeiro Ministro português e de outros líderes políticos sobre as semelhanças que existem entre o período económico em que estamos a viver e um período de guerra. Com efeito, Portugal experimentou o último período de guerra, total e aberta, no seu território continental no começo do século XIX (entre 1807 e 1810) e, de facto a escala e a rapidez da devastação social e económica que se abateu sobre o país, os seus principais parceiros económicos e sobre o seu principal sector económico, o Turismo (que representa perto de 15% da economia actualmente) é bastante semelhante aos efeitos de uma guerra convencional sobre uma economia nacional.

Perante esta circunstância e a lentidão e incerteza que rodeia a escala da intervenção europeia na criação de condições que permitam ultrapassar esta crise chegou o momento de se avaliar a necessidade de se fazer agora nesta “guerra biológica” que se abateu sobre nós o mesmo que, no passado, vários governos já fizeram: lançar “Títulos de Guerra COVID-19”: O termo foi usado pela primeira vez pelos EUA para financiarem a guerra de 1812 com os britânicos, mas restritos apenas às camadas economicamente mais favorecidas da população e generalizados durante a Primeira Grande Guerra mas focados – desta feita – às classes médias e baixas das populações de vários países beligerantes.

Os objectivos clássicos dos “Títulos de Guerra” são os de financiar a produção de armamento e as despesas de formar e manter grandes exércitos combatentes. Outro objectivo é o de conter a inflação por forma a retirar dinheiro de circulação. Graças ao Euro a inflação não é agora um problema mas também graças ao Euro não é mais possível aumentar a quantidade de moeda em circulação (aumentando a inflação) e, no curto prazo, estimular a economia e repotenciar o crescimento económico e do emprego.

Com o actual excesso de liquidez e falta de soluções seguras de investimento para os recursos financeiros que algumas famílias têm à ordem nos bancos e que, mercê, da instabilidade bolsista, da instabilidade dos fundos de investimento e dos baixos (ou negativos) juros dos depósitos a prazo não faria sentido recuperar a ideia dos “títulos de guerra” e lançar os ditos neste contexto do necessário investimento público para recuperar a economia e o emprego neste momento de grave crise económica?

Publicado na edição impressa do https://jornaldascaldas.com