Centralizar o Bloco

O sistema democrático precisa de uma Esquerda mais moderada e menos “extremista” especialmente agora que a “Esquerda de Causas” conseguiu (graças, por vezes, ao apoio dos partidos de “direita”) cumprir a maioria das suas causas ditas de “fracturantes” e que – a menos que tenha uma mudança profunda – se arrisca a radicalizar ainda mais na busca incessante e cada vez mais extremada por novas causas fracturantes, cada vez mais radicais e mais afastadas do “médio centro” que sempre deve pautar a acção política.

Precisamos de um Bloco de Esquerda mais moderado, mais “Syriza” e que saiba conjugar as suas matrizes fundacionais trostskistas com uma Social-Democracia de Esquerda, mais liberal (no sentido político das liberdades cidadãs e no sentido económico na protecção e promoção da actividade empresarial privada).

Em tempos acreditei que este processo de “normalização” do Bloco poderia ocorrer pela dupla via da migração dos mais radicais pela via da cisão com a saída dos antigos militantes da FER para o MAS e, mais tarde, pela via da competição saudável, com a outra cisão formada pelo Livre, mas os sucessivos desaires eleitorais e erros políticos convenceram-me que não é por esta via que a Extrema Esquerda portuguesa se irá normalizar. Resta assim o “desvio para o centro” que espero ver acontecer no Bloco. A seguir: portanto.

Rui Martins